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terça-feira, 9 de junho de 2015

Salão do Encontro

A Arte de Educar

 A Utopia é Possível  

¨Porque foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te digo o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estávamos cegos, cegos que veem, Cegos que, vendo, não veem.¨
Saramago

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O mundo virtual das várias mídias, conformado e amoldado com o artifício da mais alta tecnologia, tem consolidado uma realidade global comum, não importando se quem a visualiza é um pequeno índio descalço nas margens do rio Amazonas, ou um garotinho em sua casa com lareira nos rincões mais gelados do Rio Grande do Sul. Todos nós, salvo algumas raras exceções, desde a popularização da televisão em meados dos anos 1960, tanto aqui no Brasil como nos mais esquecidos recantos do planeta, consumimos basicamente as mesmas informações e cultivamos os mesmos ideais e valores como se estes fossem os únicos possíveis.
Para o que muitos chamam hoje de a era da Sociedade do Espetáculo, o bem maior, o supremo valor é a imagem, e por consequência, é o status, o sucesso pessoal, o destacar-se e o sobressair-se. Até aqui nada de novo e exclusivo do homem contemporâneo. O mesmo comportamento simiesco é observado nos animais, nas crianças pequenas, nos adolescentes e nos homens adultos por razões muito semelhantes.
Em um fragmento de uma das suas mais lindas poesias, diz o poeta místico Jalal ad-Din Muhammad Rumi: ¨Morri como mineral e tornei-me planta. Morri como planta e renasci animal. Morri como animal e tornei-me homem... Ainda outra vez morrerei, como homem, para elevar-me com os anjos abençoados...¨
A evolução do mineral para a planta, desta para o animal, e por fim, até chegar ao homem ocorre espontaneamente segundo a natureza e os ditames do Isso. O salto seguinte, aquele que conduz para o além do homem já não acontece da mesma maneira, não se realiza por si só sem a vontade e a consciência próprias e inerentes ao homem. Este passo além, em direção ao desconhecido, por milênios emperrado, trilha um caminho que ultrapassa e transcende todas as características das etapas evolutivas anteriores.
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Um senhor cego bate à porta de uma senhora pedindo ajuda.
¨Fique por aqui e trabalhe conosco.¨
¨Como vai me aceitar se sou cego e não sei fazer nada?¨
¨Entre e iremos descobrir juntos como você pode contribuir.¨
Este é um pequeno fragmento do diálogo entre um deficiente visual e uma visionária.
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¨É muito bonito a gente pegar um menino sem perspectiva, que os próprios pais não acreditam nele, e transformá-lo numa pessoa boa. Agora, a minha preocupação é dar para eles só o melhor, o mais bonito; e não ficar satisfeita com qualquer coisa, eu não gosto disso. Eu gosto é do mais belo.¨
Noemi Gontijo, a visionária
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  Noemi Macedo Gontijo
Metamorfose é a expressão que melhor define o trabalho realizado no Salão do Encontro. Tal qual um autêntico alquimista, extrair o sutil do grosseiro e transmutar objetos e pessoas através da arte e da educação é o ofício a que a artesã e professora Noemi Macedo Gontijo se dedica de corpo e alma e em tempo integral há mais de quarenta anos. Decidida a oferecer muito mais do que simplesmente alimentação aos carentes, Dona Noemi, juntamente com seu amigo, o Frei Stanislau Bartold, dá início a um projeto ambicioso que proporciona formação, autonomia e dignidade às pessoas com necessidades especiais, às crianças, adolescentes, adultos e idosos em um ambiente criativo, alegre e fraterno em meio à natureza.


Em 1970, em Betim, cidade muito próxima de BH, começa a tomar forma o Salão do Encontro a partir de um pequeno galpão onde se distribuía sopa às pessoas necessitadas. Este foi somente o princípio do sonho de alguém que acreditava e apostava no potencial inato de cada um para o crescimento e auto-realização.

O Salão do Encontro é uma organização de direito privado e sem fins lucrativos que promove a educação, a capacitação para o mercado de trabalho, a inserção social, a sustentabilidade e a cidadania através da arte. Prioriza a cultura e o artesanato regional mineiro, utilizando matéria prima natural e reciclada. As crianças aprendem brincando desde bem pequeninas a trabalhar a terra e extrair as tintas, a fabricar os próprios pincéis, a manipular a argila e a madeira, a fiar e a tecer; cozinham, lavam e passam roupas; são carpinteiros, palhaços, malabaristas, músicos; e são crianças. 
A atenção com o espaço acolhedor e afetuoso, o cuidado no trato com o outro, o estímulo ao companheirismo e à camaradagem; e a preocupação com o belo fazem do Salão do Encontro muito mais do que um centro de amparo aos mais necessitados. A instituição concretizada por Noemi Gontijo forma homens e mulheres de bem.


¨ Eu sou Feliz no Salão do Encontro ¨
Izabella Gonçalves Costa


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Iniciativas nobres como a do Salão do Encontro teimam em negar a realidade mantida no patamar dos baixos instintos (diriam alguns, na frequência dos três chacras basais), desencantada, entorpecedora e nefasta imposta pelos meios de comunicação de massa. Ali, ou aqui bem pertinho, mas muito longe no tempo e no espaço de tantos conflitos, corrupção, violência, individualismo, celebridades, competição, indiferença e guerras, insiste entre lonas e árvores um espaço onde a vida eleva-se acima do diafragma e re-encanta o mundo.
        
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Aqui um vídeo no youtube em homenagem a Noemi Gontijo e a todos do Salão.
Visite, conheça e apoie o Salão do Encontro
Clique aqui para ir até o site oficial do Salão.
E clique aqui para ir também para a sua página no Facebook.                                                                                                                                   

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Arte, Sonhos e Esperança no Câncer Infantil

Câncer Solidário
Anything Can Be

Concretizar as fantasias de crianças com câncer é o comovente e original trabalho realizado pelo fotógrafo Jonathan Diaz. Com muito talento, empenho e criatividade, ele transformou os sonhos dos meninos e meninas em belíssimas fotos.
¨Eu quero que eles acreditem que há um mundo muito melhor para eles. Que seus sonhos podem se tornar realidade e que podem superar qualquer coisa, não importa o que seja - especialmente o câncer.¨ Jonathan Diaz
Ver a felicidade estampada em cada rosto e o brilho no olhar de todas essas crianças, que apesar da dor e do sofrimento, viveram momentos de muita alegria, e, por breves momentos, tiveram a oportunidade de novamente serem simplesmente crianças como as outras foi um privilégio compartilhado por todos, tanto pela equipe de trabalho, assim como também pelos familiares.
Livro: True Heroes
Ocasião rara e especial de trocas onde a dor extrema dessas crianças exigiu, mobilizou e extraiu do íntimo de cada um dos envolvidos o que de melhor há em si mesmos. Este melhor que permanece atrofiado pelo nosso molde cultural que entoa, tal qual o canto da sereia, o seu perene mantra a ecoar por Narciso; que nos mantém cativos numa espécie de cárcere privado, encastelados em muralhas bem distantes uns dos outros.
Vejamos um pouco das belas fotos de Jonathan Diaz e do projeto publicado no livro True Heroes com 21 imagens e textos de escritores consagrados. Os recursos arrecadados serão totalmente convertidos para o projeto Anything Can Be, apoiado pela fundação Millie's Princess Foundation, uma organização que dá suporte financeiro às famílias das crianças portadoras de câncer.
SOFIA: A pequena Bibliotecária

CAIMBRE: A pequena Sereia



















ETHAN: O pequeno Batman






















WILLIAN: O pequeno Cavaleiro do Dragão


















JORDAN: A pequena Alice no País das Maravilhas























CARSON: O pequeno Vaqueiro

































ELLIE: A pequena Padeira ou Confeiteira























CAMI: A Fada
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Veja a parte final deste post logo abaixo, ou aqui.






















terça-feira, 26 de maio de 2015

Arte, Sonhos e Esperança no Câncer Infantil - final

Câncer Pediátrico
JORDAN e ETHAN

O câncer infanto-juvenil é atualmente a maior causa de mortes por doenças entre crianças e adolescentes nas idades entre 0 e 19 anos nos países desenvolvidos, incluindo o Brasil. Cerca de 12.000 novos casos ocorrem anualmente, segundo as estatísticas mais atualizadas. Somente uma pequena porcentagem dos cânceres pediátricos, ao contrário de vários que acometem os adultos, possui uma causa conhecida. O progresso no tratamento obtido nas últimas décadas tem sido muito promissor, alcançando o índice de 70% de sucesso. As chances de cura aumentam exponencialmente quando a constatação e o diagnóstico são realizados o mais precocemente possível.
O efeito da repercussão a nível mundial do trabalho do dublê de advogado e fotógrafo Jonathan Diaz se estende em várias direções. Até há muito pouco tempo a própria pronúncia da palavra câncer era evitada devido ao temor e ao preconceito que a doença provocava e, infelizmente, ainda provoca. O preconceito em grande parte é provocado simplesmente pela falta de informação ou informação equivocada.
O conhecimento adequado possibilita escolher as formas de ação mais corretas e eficazes, quer sejam das pessoas leigas - apoiando instituições, amparando as famílias, angariando fundos, etc. -, assim como a dos profissionais da área, como os médicos oncologistas, nutrólogos, fitoterapeutas, psicoterapeutas versados em técnicas e intervenções da clínica psicossomática; e os cientistas pesquisadores independentes da medicina ortodoxa oficial.
Essa porta aberta pela arte de Diaz é um convite à solidariedade, à participação ativa de todos que foram tocados por ela. 
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Os vídeos abaixo foram extraídos do site Anything Can Be e do canal do youtube. Visite também o Facebook e o site para contatos com o Projeto:
https://www.youtube.com/channel/UCQzBovugG36ViwRPfwF9Jpg
https://www.facebook.com/anythingcanbeproject
http://www.anythingcanbeproject.com/contact-bedford/
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WILLIAN, O Cavaleiro do Dragão

JORDAN, A Alice no País das Maravilhas

CAMIL, A Princesinha Fada 

ELLIE, A Pequenina Padeira

A maioria das crianças do Anything Can Be venceu a batalha do câncer e sobreviveu. Infelizmente, Ethan, o Pequeno Batman e Jordan, a Pequena Alice, não tiveram a mesma sorte e faleceram.
     
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Alguns pequenos fragmentos de uma resposta de Medard Boss, psiquiatra e psicoterapeuta suiço, sobre a morte em uma de suas muitas palestras:
¨...A partir do que já foi dito de fundamental, entende-se facilmente, por exemplo, a observação que sempre pode ser feita em crianças antes da puberdade, quando geralmente não têm medo da
Medard Boss - 1903/1990
morte, desde que não sejam ¨contaminadas¨ pelo medo dos adultos. Não é que elas não tenham medo de morrer por não saberem o que é isto. Os adultos angustiados também não o sabem por experiência própria. Crianças antes da puberdade não têm medo por ainda não se entenderem como sendo um sujeito isolado, o qual poderia ser destruído separadamente. As crianças são ainda tão sustentadas por seu âmbito
 de origem que não podem compreender-se como algo isolado, e por isso não podem também ter medo da própria destruição como parte de um elemento indivisível, individualizado.
...No procedimento angustioso diante da própria morte, esta se revela como o apagar definitivo no nada vazio, como o fim de tudo. A única certeza, porém, é que a existência humana, depois de ter morrido, não está mais no mundo da mesma forma corpórea como antes. Mas esta certeza não exclui, de forma alguma a possibilidade da morte justamente não trazer consigo a aniquilação radical de tudo - o que é temido na angústia diante dela. A morte pode certamente significar uma transformação do estar-no-mundo existencial anterior numa forma de ser totalmente diferente, numa forma de ser que, sem dúvida, não é acessível aos mortais enquanto eles vivem.¨
*grifos nossos
      *
Morri como mineral e tornei-me planta.
Morri como planta e renasci animal.
Morri como animal e tornei-me homem.
Por que devo temer? Quando fui eu diminuído por morrer?
Ainda outra vez morrerei, como homem, para me elevar
com os anjos abençoados, mas até da angelitude 
terei de sair.
Tudo, exceto Deus, perece.
Quando tiver sacrificado minha alma angélica,
Tornar-me-ei aquilo que nenhuma mente jamais concebeu.
Oh, deixem-me não existir!
Porque a não-existência proclama,
em sons melodiosos, 
que a Ele regressaremos.
Jalal ad-Din Muhammad RUMI
     O Amor é leve. Expande. Entrega. Deixa ir. Libera. Não Retém.