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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Paragem do Tempo

Paragem do Tempo

 


Embolada do Tempo
Alceu Valença



Você quer parar o tempo
E o tempo não tem parada
Você quer parar o tempo
O tempo não tem parada


Eu marco o tempo
Na base da embolada
Da rima bem ritmada
Do pandeiro e do ganzá

Você quer parar o tempo
E o tempo não tem parada
Você quer parar o tempo
O tempo não tem parada

O tempo em si
Não tem fim
Não tem começo
 
Mesmo pensado ao avesso
Não se pode mensurar












Você quer parar o tempo
E o tempo não tem parada
Você quer parar o tempo
O tempo não tem parada

  
Buraco negro
A existência do nada
Noves fora, nada, nada
Por isso nos causa medo

Tempo é segredo
Senhor de rugas e marcas
E das horas abstratas
Quando paro pra pensar

Você quer parar o tempo
E o tempo não tem parada
Você quer parar o tempo
O tempo não tem parada


terça-feira, 25 de agosto de 2015

MANTRA

E Acordará no Mesmo Lugar, no Mesmo Lar, no Mesmo Quintal

Vídeo tomado emprestado do canal Nando Reis, no link abaixo:
Mantra
Nando Reis
Quando não tiver mais nada
Nem chão, nem escada
Escudo ou espada
O seu coração
Acordará

Quando estiver com tudo
Lã, cetim, veludo
Espada e escudo
Sua consciência
Adormecerá

E acordará no mesmo lugar
Do ar até o arterial
No mesmo lar
No mesmo quintal
Da alma ao corpo material

Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Hare Rama
Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare

Quando não se tem mais nada
Não se perde nada
Escudo ou espada
Pode ser o que se for
Livre do temor

Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Hare Rama
Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare

Quando se acabou com tudo
Espada e escudo
Forma e conteúdo
Já então agora dá
Para dar amor

Amor dará e receberá
Do ar, pulmão
Da lágrima, sal
Amor dará e receberá
Da luz, visão
Do tempo espiral

Amor dará e receberá
Do braço, mão
Da boca, vogal
Amor dará e receberá
Da morte
O seu dia natal

Adeus Dor
Adeus Dor
Adeus Dor
Adeus Dor

Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Hare
Hare Rama
Hare Rama
Rama Rama
Hare Hare

segunda-feira, 23 de março de 2015

MILAGRES - KRISHNAMURTI

Milagres

 Pastores. Milagreiros. Padres. Santos. Curandeiros.


Se se perdessem todos os livros sacros da humanidade, e só se salvasse O Sermão da      Montanha, nada estaria perdido. 
Mahatma Gandhi
¨Ninguém pode servir a dois senhores; pois ou há de aborrecer a um e amar ao outro, ou há de unir-se a um e desprezar ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos da vossa vida pelo que haveis de comer ou beber, nem do vosso corpo pelo que haveis de vestir; não é a vida mais que o alimento, e o corpo mais que o vestido? Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros, e vosso Pai celestial as alimenta; não valeis vós muito mais do que elas? Qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um cúbito à sua estatura? Por que andais ansiosos pelo que haveis de vestir? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam, contudo vos digo que nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles. Se Deus, pois, assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Assim não andeis ansiosos, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir? (Pois os gentios é que procuram todas estas coisas); porque vosso Pai celestial sabe que precisais de todas elas. Mas buscai primeiramente o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.¨ 
Estas são as palavras de um homem sábio, os dizeres de um poeta místico, que se utiliza das mais lindas imagens e profunda poesia para expressar aquilo que excede os conceitos, e o que se insinua e se oculta nas palavras. 
Este belo homem, mensagem do amor encarnado, nos convida a entrar no Reino dos Céus, na morada do Pai Eterno, mediante o auto-conhecimento, porque este Reino está dentro de cada um. Ele habita no coração dos homens. 
Sendo assim, qualquer um que se intitule seu representante; independentemente do cetro que ostente, das suas suntuosas mansões, das mantas vermelhas ou laranjas, batinas pretas ou violáceas, ternos e gravatas que vistam; assim como solidéus e chapéus de cowboy que porventura os adornem; são intermediários entre mim e mim-mesmo. Um entrave a ser total e cuidadosamente extirpado.
¨O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens.¨  (Atos 17:24-30)
Um homem humilde, comum, filho de carpinteiro, sedento de luz, após dias jejuando na solidão do deserto, enfrenta as grandes tentações e vence a sombra do Homem. O Adão desperto e redivivo, embriagado do Divino, volta nu, vitorioso; e com o coração exposto, traz a mensagem do amor, da libertação, da compaixão e da Vida Eterna.
¨O sábio aponta a lua, o tolo vê o dedo.¨
Os antigos e os contemporâneos que se dizem seus seguidores, ainda limitados pelas estruturas cognitivas do pensamento concreto infantil, incapazes de abstração, aparentemente mais fascinados, interessados e preocupados em disseminar, valorizar e perpetuar o mito de um ser dotado de poderes extraordinários; reduzem o homem Jesus a alguma espécie de bruxo dos contos-de-fadas, ou a algum super-herói infanto-juvenil, que dotado com superpoderes é capaz de andar sobre as águas, curar os paralíticos, os surdos-mudos, os leprosos e os cegos; e ainda, multiplicar os pães, transformar água em vinho, ressuscitar os mortos, e, por fim, ressuscitar-se a si-mesmo.
¨Vi tudo que se faz sob o sol, e eis: Tudo vaidade, e vento que passa.¨  (Eclesiastes)
Não é objetivo deste texto questionar se os milagres ocorreram de fato ou não, ou se Jesus tinha ou não o poder de realizá-los. Muito provavelmente tinha tal poder; mas tal homem, de tal magnitude, e com tamanha sabedoria não estaria além da necessidade de comprovar por tais fenômenos físicos e concretos a sua estatura espiritual? Não seria também, como repetidas vezes disse, o seu maior interesse e missão a cura interior, a cura da alma? A maturidade que alcançou não o permitiria ter outra atitude a não ser a de, compassivamente, elevar os homens ao mesmo patamar de responsabilidade, tomando cada um a sua cruz; e, portanto, seguir o seu próprio caminho.

Quem leu até aqui, veja no vídeo abaixo o que um desses raros sábios movidos a compaixão diz sobre o fenômeno dos milagres.

¨O que é mais importante, curar fisicamente alguém, ou curar psicologicamente? Você não está interessado nisso tudo. Você só está interessado em milagres, que lhes trarão mais dinheiro, entende? Senhor, você vê como tudo isso é triste, como tudo isso é infantil?...Você entende? Está tudo se tornando tão infantil, imaturo...Por que nos tornamos tão infantis sobre todos estes assuntos?...O mundo está caindo aos pedaços...Você está se degenerando...Você é corrupto, está fazendo coisas feias na vida. Mudar isso é o milagre. Não uma pessoa tola fazendo algum tipo de truque. Este é o maior milagre que pode acontecer a um ser humano. Mudar completamente e desabrochar em algo extraordinário... Você quer alguém que faça tudo por você. Ninguém vai ajudá-lo psicologicamente.¨  

Todo o conteúdo deste post, assim como o de todo o blog, está disponível, e a sua reprodução parcial, ou integral, está autorizada, desde que mantida a integridade das informações e citada a fonte.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

POR QUEM OS SINOS DOBRAM

Por Quem os Sinos Dobram

For Whom the Bells Tolls

¨Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si-mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo; se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se fosse um promontório, como se fosse o solar dos teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti.¨
                                                                                                               John Donne



domingo, 11 de maio de 2014

AMOR e CIÊNCIA - VOLVER A LOS 17


     Só o Amor com sua Ciência nos Torna Tão Inocentes



Vídeo tomado emprestado do canal Nossas Versões

Volver A Los 17

Voltar aos 17 depois de viver um século
É como decifrar sinais sem ser sábio competente
Voltar a ser de repente tão frágil como um segundo
Voltar a sentir profundo como um menino diante de Deus
Isso é o que sinto neste instante fecundo

Vai se envolvendo, envolvendo
Como no muro a hera
E vai brotando, brotando
Como o musgo na pedra
Como o musgo na pedra, ai sim, sim, sim.

Meu passo retrocede quando o de vocês avança
O arco das alianças penetrou em meu ninho
Com todo seu colorido passeou por minhas veias
E até a dura corrente com a qual nos prende o destino
É como um diamante fino que ilumina minha alma serena

Vai se envolvendo, envolvendo
Como no muro a hera
E vai brotando, brotando
Como o musgo na pedra
Como o musgo na pedra, ai sim, sim, sim.

O que pode o sentimento não o pode o saber
Nem o mais claro proceder, nem o maior dos pensamentos
Tudo o muda num momento qual mago condescendente
Nos afasta docemente de rancores e violências
Só o amor com sua ciência nos torna tão inocentes

Vai se envolvendo, envolvendo
Como no muro a hera
E vai brotando, brotando
Como o musgo na pedra
Como o musgo na pedra, ai sim, sim, sim.

O amor é um turbilhão de pureza original
Até o feroz animal sussura seu doce som
Detém os peregrinos, liberta os prisioneiros
O amor com seus esforços ao velho o torna criança
E ao mal só o carinho o torna puro e sincero

Vai se envolvendo, envolvendo
Como no muro a hera
E vai brotando, brotando
Como o musgo na pedra
Como o musgo na pedra, ai sim, sim, sim.

De par em par a janela se abriu como por encanto
Entrou o amor com seu manto como uma fraca manhã
Ao som de sua bela Diana fez brotar o jasmim
Voando qual serafim ao céu lhe pôs brincos
Meus anos em dezessete os converteu o querubim.
VIOLETA PARRA

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

FRIEDRICH NIETZSCHE - O Ateu que Matou Deus

O Ateu que Matou deus



Oração ao Deus desconhecido

Antes de prosseguir no meu caminho

E lançar o meu olhar para frente

Uma vez mais elevo, só, minhas mãos a Ti,

Na direção de quem eu fujo.

A Ti, das profundezas do meu coração,

Tenho dedicado altares festivos,

Para que em cada momento

Tua voz me possa chamar.



Sobre esses altares está gravada em fogo

Esta palavra: ¨ao Deus desconhecido¨

Eu sou teu, embora até o presente

Me tenha associado aos sacrílegos.

Eu sou teu, não obstante os laços

Me puxarem para o abismo.

Mesmo querendo fugir

Sinto-me forçado a servir-Te.



Eu quero Te conhecer, ó Desconhecido!

Tu que me penetras a alma

E qual turbilhão invades minha vida.

Tu, o Incompreensível, meu Semelhante.

Quero Te conhecer e a Ti servir.


Poesia de Friedrich Nietzsche traduzida por Leonardo Boff

O texto em alemão pode ser encontrado em Die schönsten Gedichte von Friedrich Nietzsche, Diogenes Taschenbuch, Zürich 2000, 11-12 ou em F.Nietzsche, Gedichte, Diogenes Verlag, Zurich 1994.


¨Não acredito em um deus que não dance¨

Nietzsche

Sama - Rumi - O Poeta Embriagado de Deus

Vídeo tomado emprestado do canal Poemas Místicos
https://www.youtube.com/watch?v=sxvQCPRchIU

sábado, 25 de maio de 2013

O TEMPO e o RELÓGIO

O Relógio


Não há nada que diferencie tanto a sociedade Ocidental de nossos dias das sociedades mais antigas da Europa e do Oriente do que o conceito de tempo. Tanto para os antigos gregos e chineses quanto para os nômades árabes ou para o peão mexicano de hoje, o tempo é representado pelos processos cíclicos da natureza, pela sucessão dos dias e das noites, pela passagem das estações. Os nômades e os fazendeiros costumavam medir – e ainda o fazem hoje – seu dia do amanhecer até o crepúsculo e os anos em termos de plantar e de colher, das folhas que caem e do gelo derretendo nos lagos e rios.
O homem do campo trabalhava em harmonia com os elementos, como um artesão, durante tanto tempo quanto julgasse necessário. O tempo era visto como um processo natural de mudanças e os homens não se preocupavam em medi-lo com exatidão. Por essa razão, civilizações que eram altamente desenvolvidas sob outros aspectos dispunham de meios bastante primitivos para medir o tempo: a ampulheta cheia que escorria, o relógio de sol inútil num dia sombrio, a vela ou a lâmpada onde o resto de óleo ou cera que permanecia sem queimar indicava as horas. Todos esses dispositivos forneciam medidas aproximadas de tempo e tornavam-se muitas vezes falhos pelas condições do clima ou pela inabilidade daqueles que os manipulavam. Em nenhum lugar do mundo antigo ou da Idade Média havia mais do que uma pequeníssima minoria de homens que se preocupassem realmente em medir o tempo em termos de exatidão matemática.
O homem ocidental civilizado, entretanto, vive num mundo que gira de acordo com os símbolos mecânicos e matemáticos das horas marcadas pelo relógio. É ele que vai determinar seus movimentos e dificultar suas ações. O relógio transformou o tempo, transformando-o de um processo natural em uma mercadoria que pode ser comprada, vendida e medida como um sabonete ou um punhado de passas de uvas. E, pelo simples fato de que, se não houvesse um meio para marcar as horas com exatidão, o capitalismo industrial nunca poderia ter se desenvolvido, nem teria continuado a explorar os trabalhadores, o relógio representa um elemento de ditadura mecânica na vida do homem moderno, mais poderoso do que qualquer outro explorador isolado ou do que qualquer outra máquina...
O relógio ofereceu os meios através do qual o tempo – algo tão indefinível que nenhuma filosofia conseguira ainda determinar sua natureza – passou a ser medido concretamente em termos mais palpáveis de espaço, dado pela circunstância do mostrador do relógio. O tempo, como duração, perdeu sua importância e os homens começaram a falar em extensões de tempo como se estivessem falando em metros de algodão. Assim o tempo, agora representado por símbolos matemáticos, passou a ser visto como uma mercadoria que podia ser comprada e vendida como qualquer outra mercadoria...
Agora são os movimentos do relógio que vão determinar o ritmo da vida do ser humano - os homens se tornaram escravos de uma ideia de tempo que eles mesmos criaram e são dominados por esse temor tal como aconteceu com Frankenstein. Numa sociedade livre e saudável, essa dominação do homem por máquinas por ele mesmo construídas chega a ser ridícula, mais ridícula até do que o domínio do homem pelo homem. A contagem do tempo deveria ser relegada à sua verdadeira função, como uma forma de referência e um meio para coordenar as atividades do ser humano, que voltaria a ter uma visão mais equilibrada da vida, já não mais dominada pelos regulamentos impostos pelo tempo e pela adoração ao relógio. A liberdade completa implica a libertação da ditadura das abstrações, tanto quanto a libertação do comando dos homens.
*grifos nossos   

George Woodcock em A Ditadura do Relógio

George Woodcock (1912/1995)

*

O Tempo

Tempo de Tempo e não Tempo

Deus Cronos


Tempo é tempo vivido
não há tempo passado
quando a vivência não era 

tempo  tempo futuro

quando a vivência não será

geradores do tempo
de um instante concebido
encompridaram à eternidade

dizer que não há tempo
é tão absurdo
quanto dizer que ele há

o tempo se desfaz
no tempo que se liberta
pela ausência do temporalizador
.

                               ...de um certo Anônimo

*

O Eterno

A Morte e o Amor

 

Só a morte põe fim seguro

Às dores e aflições da vida.

A vida, porém, temerosa,

Tudo faz para adiar esse encontro.               
 

É que a vida vê da morte

Apenas a mão sombria

E fecha os olhos à luzente taça 

Que a mesma morte lhe oferece.

 

Assim também foge do amor

O coração apaixonado,

Receoso de um dia morrer

Da mesma paixão por que vive.

 

Lá onde nasce o verdadeiro amor

Morre o “eu”, esse tenebroso déspota.

Tu o deixas expirar no negror da noite

E livre respiras à luz da manhã.

                 Poesia: A Morte e o Amor de Rumi               

Jalal ad-Din Muhammad RUMI