domingo, 11 de maio de 2014

AMOR e CIÊNCIA - VOLVER A LOS 17


     Só o Amor com sua Ciência nos Torna Tão Inocentes



Vídeo tomado emprestado do canal Nossas Versões

Volver A Los 17

Voltar aos 17 depois de viver um século
É como decifrar sinais sem ser sábio competente
Voltar a ser de repente tão frágil como um segundo
Voltar a sentir profundo como um menino diante de Deus
Isso é o que sinto neste instante fecundo

Vai se envolvendo, envolvendo
Como no muro a hera
E vai brotando, brotando
Como o musgo na pedra
Como o musgo na pedra, ai sim, sim, sim.

Meu passo retrocede quando o de vocês avança
O arco das alianças penetrou em meu ninho
Com todo seu colorido passeou por minhas veias
E até a dura corrente com a qual nos prende o destino
É como um diamante fino que ilumina minha alma serena

Vai se envolvendo, envolvendo
Como no muro a hera
E vai brotando, brotando
Como o musgo na pedra
Como o musgo na pedra, ai sim, sim, sim.

O que pode o sentimento não o pode o saber
Nem o mais claro proceder, nem o maior dos pensamentos
Tudo o muda num momento qual mago condescendente
Nos afasta docemente de rancores e violências
Só o amor com sua ciência nos torna tão inocentes

Vai se envolvendo, envolvendo
Como no muro a hera
E vai brotando, brotando
Como o musgo na pedra
Como o musgo na pedra, ai sim, sim, sim.

O amor é um turbilhão de pureza original
Até o feroz animal sussura seu doce som
Detém os peregrinos, liberta os prisioneiros
O amor com seus esforços ao velho o torna criança
E ao mal só o carinho o torna puro e sincero

Vai se envolvendo, envolvendo
Como no muro a hera
E vai brotando, brotando
Como o musgo na pedra
Como o musgo na pedra, ai sim, sim, sim.

De par em par a janela se abriu como por encanto
Entrou o amor com seu manto como uma fraca manhã
Ao som de sua bela Diana fez brotar o jasmim
Voando qual serafim ao céu lhe pôs brincos
Meus anos em dezessete os converteu o querubim.
VIOLETA PARRA

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

FRIEDRICH NIETZSCHE - O Ateu que Matou Deus

O Ateu que Matou deus



Oração ao Deus desconhecido

Antes de prosseguir no meu caminho

E lançar o meu olhar para frente

Uma vez mais elevo, só, minhas mãos a Ti,

Na direção de quem eu fujo.

A Ti, das profundezas do meu coração,

Tenho dedicado altares festivos,

Para que em cada momento

Tua voz me possa chamar.



Sobre esses altares está gravada em fogo

Esta palavra: ¨ao Deus desconhecido¨

Eu sou teu, embora até o presente

Me tenha associado aos sacrílegos.

Eu sou teu, não obstante os laços

Me puxarem para o abismo.

Mesmo querendo fugir

Sinto-me forçado a servir-Te.



Eu quero Te conhecer, ó Desconhecido!

Tu que me penetras a alma

E qual turbilhão invades minha vida.

Tu, o Incompreensível, meu Semelhante.

Quero Te conhecer e a Ti servir.


Poesia de Friedrich Nietzsche traduzida por Leonardo Boff

O texto em alemão pode ser encontrado em Die schönsten Gedichte von Friedrich Nietzsche, Diogenes Taschenbuch, Zürich 2000, 11-12 ou em F.Nietzsche, Gedichte, Diogenes Verlag, Zurich 1994.


¨Não acredito em um deus que não dance¨

Nietzsche

Sama - Rumi - O Poeta Embriagado de Deus

Vídeo tomado emprestado do canal Poemas Místicos
https://www.youtube.com/watch?v=sxvQCPRchIU

domingo, 16 de junho de 2013

ILUMINAÇÃO JIDDU KRISHNAMURTI

 ILUMINAÇÃO

Com a devida permissão do Horácio e do Maurício de Souza

...Desejais conhecer a Deus porque perdestes a melodia em vosso coração e saís em busca do autor!
Algumas pessoas vão à Índia, mas não sei por que fazem isso: a verdade não está lá; o que está lá é a fantasia, e a verdade não é uma fantasia. A verdade está onde você está. Não em algum país estrangeiro, mas onde você está. A verdade é o que você está fazendo, como está se comportando. Está aí, não nas cabeças raspadas e naquelas bobagens que os homens têm feito.
Jiddhu Krishnamurti

quarta-feira, 29 de maio de 2013

TECNOLOGIA TEMPO e DECADÊNCIA

Tempo e Decadência

Quando a tecnologia e o dinheiro tiverem conquistado o mundo; quando qualquer acontecimento em qualquer lugar e a qualquer tempo se tiver tornado acessível com rapidez; quando se puder assistir em tempo real a um atentado no ocidente e a um concerto sinfônico no oriente; quando tempo significar apenas rapidez online; quando o tempo, como história, houver desaparecido da existência de todos os povos, quando um esportista ou artista de mercado valer como grande homem de um povo; quando as cifras em milhões significarem triunfo, – então, justamente então – reviverão como fantasma as perguntas: para quê? Para onde? E agora? A decadência dos povos já terá ido tão longe, que quase não terão mais força de espírito para ver e avaliar a decadência simplesmente como… Decadência. Essa constatação nada tem a ver com pessimismo cultural, nem tampouco, com otimismo… O obscurecimento do mundo, a destruição da terra, a massificação do homem, a suspeita odiosa contra tudo que é criador e livre, já atingiu tais dimensões, que categorias tão pueris, como pessimismo e otimismo, já haverão de ter-se tornado ridículas.

Martin Heidegger por Antônio Abujamra
TV Cultura


Martin Heidegger 

sábado, 25 de maio de 2013

O TEMPO e o RELÓGIO

O Relógio


Não há nada que diferencie tanto a sociedade Ocidental de nossos dias das sociedades mais antigas da Europa e do Oriente do que o conceito de tempo. Tanto para os antigos gregos e chineses quanto para os nômades árabes ou para o peão mexicano de hoje, o tempo é representado pelos processos cíclicos da natureza, pela sucessão dos dias e das noites, pela passagem das estações. Os nômades e os fazendeiros costumavam medir – e ainda o fazem hoje – seu dia do amanhecer até o crepúsculo e os anos em termos de plantar e de colher, das folhas que caem e do gelo derretendo nos lagos e rios.
O homem do campo trabalhava em harmonia com os elementos, como um artesão, durante tanto tempo quanto julgasse necessário. O tempo era visto como um processo natural de mudanças e os homens não se preocupavam em medi-lo com exatidão. Por essa razão, civilizações que eram altamente desenvolvidas sob outros aspectos dispunham de meios bastante primitivos para medir o tempo: a ampulheta cheia que escorria, o relógio de sol inútil num dia sombrio, a vela ou a lâmpada onde o resto de óleo ou cera que permanecia sem queimar indicava as horas. Todos esses dispositivos forneciam medidas aproximadas de tempo e tornavam-se muitas vezes falhos pelas condições do clima ou pela inabilidade daqueles que os manipulavam. Em nenhum lugar do mundo antigo ou da Idade Média havia mais do que uma pequeníssima minoria de homens que se preocupassem realmente em medir o tempo em termos de exatidão matemática.
O homem ocidental civilizado, entretanto, vive num mundo que gira de acordo com os símbolos mecânicos e matemáticos das horas marcadas pelo relógio. É ele que vai determinar seus movimentos e dificultar suas ações. O relógio transformou o tempo, transformando-o de um processo natural em uma mercadoria que pode ser comprada, vendida e medida como um sabonete ou um punhado de passas de uvas. E, pelo simples fato de que, se não houvesse um meio para marcar as horas com exatidão, o capitalismo industrial nunca poderia ter se desenvolvido, nem teria continuado a explorar os trabalhadores, o relógio representa um elemento de ditadura mecânica na vida do homem moderno, mais poderoso do que qualquer outro explorador isolado ou do que qualquer outra máquina...
O relógio ofereceu os meios através do qual o tempo – algo tão indefinível que nenhuma filosofia conseguira ainda determinar sua natureza – passou a ser medido concretamente em termos mais palpáveis de espaço, dado pela circunstância do mostrador do relógio. O tempo, como duração, perdeu sua importância e os homens começaram a falar em extensões de tempo como se estivessem falando em metros de algodão. Assim o tempo, agora representado por símbolos matemáticos, passou a ser visto como uma mercadoria que podia ser comprada e vendida como qualquer outra mercadoria...
Agora são os movimentos do relógio que vão determinar o ritmo da vida do ser humano - os homens se tornaram escravos de uma ideia de tempo que eles mesmos criaram e são dominados por esse temor tal como aconteceu com Frankenstein. Numa sociedade livre e saudável, essa dominação do homem por máquinas por ele mesmo construídas chega a ser ridícula, mais ridícula até do que o domínio do homem pelo homem. A contagem do tempo deveria ser relegada à sua verdadeira função, como uma forma de referência e um meio para coordenar as atividades do ser humano, que voltaria a ter uma visão mais equilibrada da vida, já não mais dominada pelos regulamentos impostos pelo tempo e pela adoração ao relógio. A liberdade completa implica a libertação da ditadura das abstrações, tanto quanto a libertação do comando dos homens.
*grifos nossos   

George Woodcock em A Ditadura do Relógio

George Woodcock (1912/1995)

*

O Tempo

Tempo de Tempo e não Tempo

Deus Cronos


Tempo é tempo vivido
não há tempo passado
quando a vivência não era 

tempo  tempo futuro

quando a vivência não será

geradores do tempo
de um instante concebido
encompridaram à eternidade

dizer que não há tempo
é tão absurdo
quanto dizer que ele há

o tempo se desfaz
no tempo que se liberta
pela ausência do temporalizador
.

                               ...de um certo Anônimo

*

O Eterno

A Morte e o Amor

 

Só a morte põe fim seguro

Às dores e aflições da vida.

A vida, porém, temerosa,

Tudo faz para adiar esse encontro.               
 

É que a vida vê da morte

Apenas a mão sombria

E fecha os olhos à luzente taça 

Que a mesma morte lhe oferece.

 

Assim também foge do amor

O coração apaixonado,

Receoso de um dia morrer

Da mesma paixão por que vive.

 

Lá onde nasce o verdadeiro amor

Morre o “eu”, esse tenebroso déspota.

Tu o deixas expirar no negror da noite

E livre respiras à luz da manhã.

                 Poesia: A Morte e o Amor de Rumi               

Jalal ad-Din Muhammad RUMI